O controle do uso de telas por crianças e adolescentes é, hoje, uma das maiores preocupações das famílias — e da sociedade como um todo. O contato excessivo com as tecnologias pode impactar o processo de desenvolvimento e a saúde mental infantil, além de aumentar o risco de exposição a abusos e violências. O desafio, porém, não é apenas reduzir o tempo navegando na internet. É também ensinar como se relacionar com o mundo virtual de forma consciente, equilibrada e saudável.
Mais do que proibir, é preciso aprender a dialogar, orientar e mediar. Segundo a pesquisa TIC Kids Online 2025, 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos são usuários de internet — o que corresponde a aproximadamente 24 milhões de crianças e adolescentes. Os números refletem o processo de digitalização e o tamanho do desafio de educar os jovens para essa nova realidade, bem como de discutir maneiras de transformar o mundo virtual em um ambiente mais seguro para todos.
O papel da família
As famílias ocupam papel central na construção do uso saudável de telas. Sobre o tempo de uso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta*:
- para menores de dois anos, evitar a exposição sem necessidade, até mesmo de forma passiva;
- para crianças entre 2 e 5 anos, a exposição não deve ultrapassar uma hora por dia;
- entre 6 e 10anos, no máximo 1 a 2 horas por dia;
- para adolescentes entre 11 e 18 anos, limitar o uso de telas e jogos de videogame a 2 a 3 horas por dia, com alerta de que o uso por mais de 4 a 5 horas por dia pode aumentar riscos à saúde e problemas comportamentais.
Vale lembrar que sempre deve haver supervisão, observando a faixa etária da criança ou adolescente — quanto mais novo, maior a necessidade de atenção e orientação.
Uso saudável
Mas o uso saudável não se limita à quantidade de horas de exposição a telas. Para garantir equilíbrio, as diretrizes da SBP ainda incluem:
- uso de tecnologias nas áreas comuns da casa — em vez do quarto, por exemplo;
- não usar telas durante as refeições;
- desconectar-se entre 1 e 2 horas antes de dormir — o que é importante para a qualidade do sono, que também está associado ao desenvolvimento saudável e à aprendizagem;
- estimular brincadeiras, esportes, atividades ao ar livre e contato com a natureza;
- criar regras para o uso de equipamentos digitais, bem como de privacidade e segurança;
- criar momentos de desconexão e convivência familiar;
- dialogar com crianças e adolescentes para evitar dependência tecnológica.
Ou seja: para garantir que seu filho esteja seguro e aprenda a usar a internet de forma saudável, é importante mediar a presença online (como e por quanto tempo a tecnologia está sendo utilizada) e estimular atividades offline (fundamentais para o desenvolvimento infantil). Para isso, é preciso investir em regras claras, diálogo, presença e exemplo.
*Documento #Menos telas #Mais saúde – Atualização 2024
Colocando em prática
Para transformar essas orientações em realidade, algumas medidas podem ajudar. Em primeiro lugar, é importante transformar sua casa em um ambiente de diálogo, onde a criança ou adolescente não apenas recebe ordens, mas entende a necessidade do estabelecimento de regras e se sente ouvido. Explique sobre os perigos da internet, os possíveis impactos na aprendizagem e no desenvolvimento e a necessidade de um limite de tempo para o uso e da mediação dos pais.
Esse canal de diálogo permite que se construa uma relação de confiança em casa, o que ajuda não apenas no cumprimento dos acordos como também na maior segurança do seu filho no ambiente digital: caso ele se depare com algum tipo de agressão (como o cyberbullying), se sentirá mais confortável para compartilhar o que aconteceu e buscar apoio.
Também é fundamental que haja presença ativa dos adultos responsáveis na vida dos jovens. É preciso estar a par dos hábitos digitais de crianças e adolescentes, o que significa saber quais plataformas eles utilizam, quais conteúdos consomem e com quem se comunicam. O acompanhamento deve ser feito com equilíbrio, dando mais autonomia de acordo com a faixa etária.
As famílias também devem dar o exemplo do uso responsável e consciente dos equipamentos digitais. Mesmo para adultos, o consumo excessivo, sobretudo de forma passiva — como passar muito tempo assistindo a vídeos curtos e de conteúdo simples — pode trazer consequências negativas. Por exemplo, o aumento da ansiedade ou dificuldade de focar em tarefas. Por isso, limitar seu tempo de uso irá mostrar ao seu filho como construir uma relação saudável com a internet, além de trazer benefícios para sua própria saúde mental e concentração e dar mais tempo para conviver em família.
Mantenha-se informado sobre o uso de telas
Os responsáveis também devem se manter informados sobre o ambiente digital e suas mudanças constantes. A tecnologia tem avançado cada vez mais rápido — a inteligência artificial é um bom exemplo — e, com isso, é preciso manter-se atualizado para orientar crianças e adolescentes sobre novas questões e perigos. Explique sobre a importância de verificar informações, a diferença entre fato e opinião, possíveis vieses da IA e o risco de compartilhar dados pessoais.
Por fim, mostre também o uso positivo da internet, explorando possibilidades de aprendizagem e de estímulo da criatividade! Afinal, há também um mundo de oportunidades no ambiente digital, com o acesso ao conhecimento a poucos cliques de distância. O intuito não é demonizar a tecnologia, mas sim saber utilizá-la de forma crítica e produtiva.